terça-feira, 1 de julho de 2014

Eu disse que tinha tempo. E tinha! Que não tinha pressa. E não tinha!

E, na verdade, nas “regras populares”, feitas de séculos de conhecimento empírico, está estabelecido que é na Primavera seguinte a ter completado os dois anos que se deve tentar.

Não houve pressas nem pressões. Um dia, há umas semanas atrás, estava calor, era Domingo, estava com ela, tirei-lhe a fralda. Porque sim. Porque estava mesmo muito calor e ficava mais fresquinha assim.  
Claro que houve vários descuidos nesse dia. Comprámos um bacio rosa, escolhido por ela. Comprámos também uma boa quantidade de cuecas, convencidos de que iam ser necessárias várias por dia. Nada disso!

Era a altura.

Em conversa com uma pediatra, ontem, e tendo-me ela perguntado pelo “desfralde”, contei-lhe como se passou. Sorriu, de orelha a orelha. “Que bom!” – disse – “É isso mesmo! Devia ser sempre assim. Sem esforço e sem retrocessos. Na altura certa, do modo certo!”.
O tempo dela, o ritmo dela!

Adeus fraldas!


quarta-feira, 7 de maio de 2014

O apartamento

E entretanto... mudámo-nos. O apartamento passou a ser ... [dou por mim a hesitar em escrever a palavra: casa] a casa onde moramos.

Não é "a nossa casa". Não é a casa que comprámos, julgo que não será a casa onde me tornarei velhinha, nem será a casa que deixarei às minhas filhas. Mas é a casa onde vivemos, os quatro. Tentamos adaptar-nos a ele e parece que ele tenta adaptar-se a nós, aos nossos ritmos, aos nossos gestos, ao modo como vivemos e somos.

Para mim é estranho. Nunca tive vizinhos, nem de cima, nem do lado, nem de baixo. Continuamos a não ter vizinhos de cima, mas tenho dos outros. E é estranho ter de pensar nisso quando fazemos mais barulho, quando as miúdas saltam e correm com carrinhos de bonecas pela casa, quando fazem birras ou quando nos rimos muito, muito. Para elas, sobretudo para a mais velha, sei que também é um bocadinho.

Gosto da luz que ele tem e que nos entra generosamente pelas janelas durante todo o dia. Gosto do jardim, nas traseiras. Gosto da vista. Gosto da ver a igreja. Gosto de ir a pé para o trabalho, à escola da miúda, ou à loja se for preciso qualquer coisa. Gosto do chão de madeira e de andarmos todos descalços. Gosto da sensação de aconchego. Gosto dele e gosto da nossa vida nele.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Chá das cinco

Pode chover, fazer frio e estar escuro como se fosse noite.
No local onde trabalho, há, em dias assim, quem passe para me deixar chá quente e bolachas. Com o cuidado de que cá esteja, impreterivelmente, um pouco antes das cinco horas.
Reconfortante...!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Da comida

Toda a gente tem no seu blog fotografias cheias de luz e de cor, lindas de morrer, de comida saudável. Tudo é bonito, das louças às cores dos alimentos. E tudo é saudável e leve. Frutas, legumes, cereais e iogurtes. Apenas.
Ora, eu, nesta fase, esforço-me por cozinhar refeições, em série, que me permitam alimentar uma família sem que isso me roube o muito pouco tempo que passo em casa. E são coisas como frango com caril, bacalhau no forno ou arroz de pato. Nada, nada "glamorouso"... E é assim.

terça-feira, 25 de março de 2014

Saudades

Tenho saudades delas. Não as vejo desde manhã. 
A mais nova ficou em casa da minha mãe. Sempre bem disposta, faz um esforço por nos acompanhar em todas as situações, por não se deixar limitar pelos seus só dois anos, e acorda cedo, sai da cama por si, e tenta arranjar-se sozinha.
A mais velha foi para a escolinha, e depois para o ballet. Carente de atenção, faz-se dependente de nós para a vestirmos e para tomar o pequeno almoço. Reclama atenção com voz de bebé e nem sempre a nossa paciência é suficiente nestas alturas.
As duas doces, como só elas. Dão tanto trabalho. E dão tantas saudades, nas horas do dia em que não as tenho comigo.

Almoço

O relógio da Torre deu uma hora.
Vou almoçar ovos mexidos. Ou omelete. Ou estrelados. Não sei bem. Ovos.
Será a primeira refeição quente no apartamento.
E também temos café.