E entretanto... mudámo-nos. O apartamento passou a ser ... [dou por mim a hesitar em escrever a palavra: casa] a casa onde moramos.
Não é "a nossa casa". Não é a casa que comprámos, julgo que não será a casa onde me tornarei velhinha, nem será a casa que deixarei às minhas filhas. Mas é a casa onde vivemos, os quatro. Tentamos adaptar-nos a ele e parece que ele tenta adaptar-se a nós, aos nossos ritmos, aos nossos gestos, ao modo como vivemos e somos.
Para mim é estranho. Nunca tive vizinhos, nem de cima, nem do lado, nem de baixo. Continuamos a não ter vizinhos de cima, mas tenho dos outros. E é estranho ter de pensar nisso quando fazemos mais barulho, quando as miúdas saltam e correm com carrinhos de bonecas pela casa, quando fazem birras ou quando nos rimos muito, muito. Para elas, sobretudo para a mais velha, sei que também é um bocadinho.
Gosto da luz que ele tem e que nos entra generosamente pelas janelas durante todo o dia. Gosto do jardim, nas traseiras. Gosto da vista. Gosto da ver a igreja. Gosto de ir a pé para o trabalho, à escola da miúda, ou à loja se for preciso qualquer coisa. Gosto do chão de madeira e de andarmos todos descalços. Gosto da sensação de aconchego. Gosto dele e gosto da nossa vida nele.
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